terça-feira, 23 de janeiro de 2018

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EM PASSOS PESSOAIS


Para Marcelo Shünke


“... Ó realidade, / há séculos eu sou uma lâmina que respira...”. (Cacaso)

A vida é a exclusividade ao construir o mundo na cabeça de cada pessoa, o que nos leva há (não)compreender um pouco essa mágica: vivenciar o que sentimos e o que não vivenciamos. Para Leila Míccolis, “A vida é um constante exercício / de mãos criando asas, / de pés, pisando em brasas”.
A vida pode se definir como um argumento poderoso, que nos influencia no querer, que por vezes dificulta ou facilita o nosso viver. Como diz Marcelo Schünke “mais vale ter sossego do que razão” e, Alfredo Salti, o contradiz: “em uma relação mais vale se incomodar uma hora por dia, do que a vida inteira”. Em qual dessas linhas de raciocínio as escolhas são justificadas pela lógica, dando clareza ao ato? Será pura acomodação? Ou segue apenas o que dita o coração?
Quanto vale o sentimento no relacionamento pessoal? Ele é a recompensa ou surgirá outra necessidade para ficarem juntos? Adriana Lima responde, “... vou transpondo os dias / e aprendendo / com quantas esperas / vive o amor em mim”. Nilza G. Lacerda expressa, “... Ainda assim, é esta vida que quero, / é esta História que busco, é este Eu que construo.//.. Quero voos contra vermelhos doídos, / quero riscos arcanjos em passos pessoais / quero álibis...”.
Em cada ato e situação que nos apresenta a vida, seja com ou sem razão, fazemos de conta que está tudo bem. Mas, nem tudo está ótimo quando a lógica se inverte, o sentimento se torna confuso, o sossego não se assentado, a emoção se altera e a razão desproporciona o fato. Carlos Drummond de Andrade retrata, “... Lá estou eu,... / por baixo de falas mansas, / por baixo de negras sombras, /... por baixo, eu sei, de mim mesmo, / este vivente enganado, / enganoso”.
Quantas máscaras somos capazes de usar em cada situação? Implicaria em irmos para frente do espelho e, do reflexo, arrancar a máscara? Quanto vale cada “sossego”? De qual “sossego” estamos falando: o interno ou o mascarado? Da vida a dois, onde apenas um sempre tem razão? Então, não seria uma relação a dois, da qual apenas nos referimos ou salvamos tão somente o sexo. Aí sim, vida a dois por momentos. E não estamos dando um passo em direção ao outro. Nem construindo pontes e caminhos. Apenas, seguimos as palavras de Marcelo , e demonstramos que quando não enfrentamos o outro ou a situação, não expomos as ideias e nem os ideais. Será que o conselho de Alfredo Salti não traz o “sossego” que tanto buscamos? Nas palavras de Nilza G. Lacerda, “Tantos desejos, que uma vida é pouco. / Tantas histórias, que uma história é pouco, / Tantos outros, que um eu não basta”.
Fatos são fatos, não mudam. Conscientizamo-nos do feito. Amar é amar e sentir os momentos da vez e da hora. Segundo Cassiano Ricardo, “... chegue-me o bem que espero tarde ou cedo, / que me adianta gritar se o céu é mudo? / se o segredo que guardo no meu peito / por mais que eu grite fica sempre oculto?...”.
Em passos pessoais, a vida não se acaba por ter apenas um mesmo motivo? Motivo que gira o tempo, onde este é o presente que nos permite projetar o futuro. Na relação pessoal, construímos em parceria, passo a passo a nossa vida, sem acionar o botão que possa nos enganar, porque além de contribuir para a honestidade, o respeito e o carinho da relação, ainda garantimos, ambos, a harmonia, a felicidade, a confiabilidade e a integridade nos momentos essenciais e especiais da vida em passos pessoais.
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sábado, 20 de janeiro de 2018

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O DIA EM QUE O RUBÃO EXPLODIU



Eram onze e meia da manhã quando o Rubão foi pelos ares.
O chefe o chamou em sua sala e começou a esculhambação. Metas, metas e mais metas não atingidas. Relatórios, gráficos de vendas, queda nos lucros. Cobrança de resultados, avanço dos concorrentes, vermelho inevitável no balanço do fim do mês.

- Então, seu Rubens, como é que fica?

O Rubão, do alto de um metro e noventa e quatro revestidos por largo invólucro adiposo, ia escutando calado, os braços cruzados e os olhos no chão. Foi quando começou a inchar. Os globos oculares querendo saltar do rosto. As mãos tremendo incontrolavelmente, os lábios arroxeando e dobrando de tamanho. No início ainda teve a consciência de afrouxar o nó da gravata e desapertar o cinto. Depois foi perdendo os sentidos e entregando-se resignado ao estouro iminente. O coração pulsava na altura do pescoço, veias e artérias iam rebentando como pipocas no microondas.

O chefe, agora acuado diante do quadro calamitoso, tentava uma remissão.
- Calma, Rubão, calma, esquece o que eu disse. Mês que vem a gente recupera essa situação, agora volta ao normal...

Três segundos depois, Rubão era carne moída. Explodira silenciosamente, low-profile, bem ao seu estilo. Talvez a banha abundante tivesse abafado o estrondo. O fato é que não havia centímetro de mármore, vidro temperado e madeira nobre da sala do diretor que não estivesse coberto com as vísceras do dedicado supervisor de vendas. Embora quase inaudível, a força daquele big-bang humano foi avassaladora. Alguns ossos encravaram-se, como que fossilizados, nas paredes do escritório, formando um curioso mosaico.

O diretor, tirando um fiapo de pâncreas preso aos seus óculos junto com o “R.J.T.” da camisa do Rubão (chamava-se Rubens José Tavares), tinha que pensar rápido. A situação era insólita, poderia ser acusado de assassinato.

Interfonou para a secretária e pediu que providenciasse um cão faminto, em pele e osso, imediatamente. Antes de tudo, limpar a área.

Refestelado do presunto e sua gordura, o cão começou a agonizar. O diretor decidiu levá-lo a um veterinário para uma injeção letal. Sacrificado o bicho, não haveria indício do ocorrido.

Não foi preciso. O cachorro chegou morto ao consultório. Sem a permissão do diretor, o doutor foi logo abrindo sua barrigada.

Após autopsiar o bicho, o veterinário foi categórico:
- Macacos me mordam, isso é carne de Rubão!
- Como assim? , disfarçou o diretor.
- Como assim digo eu, quem tem que se explicar é o senhor. Conheço carne de Rubão a léguas de distância. Além do mais...
Não chegou a concluir o raciocínio. Três tiros nos miolos o calaram para sempre. Sabia de tudo, era preciso eliminá-lo, pensou o diretor ao sacar a arma e mandar pro inferno o segundo num dia só.

Fugiu em disparada com o Rubão moído num saco de lixo, e se deu conta de que as placas dos carros todos tinham prefixo RJT. Pelas ruas em que passava via a Borracharia do Rubão, rubancas de jornal, a agência do Rubanco do Brasil, outdoors de Vick Vaporubão, concessionárias Mercedes-Rubenz.

Corria. E quanto mais corria, mais o espectro do Rubão ganhava fôlego para alcançá-lo. Ele com o pacote de carne já marrom, sem ter como livrar-se do finado a decompor. Entrou num beco, olhou para o céu e viu uma nuvem com o perfil exato do defunto. Exausto, cambaleou até chocar-se com a vitrine de uma loja de perfumes. O alarme soou: ru-bão, ru-bão, ru-bão, ru-bão...

Antes que a polícia viesse, chegou sua vez de explodir. Ruidosamente, gloriosamente, solenemente, como convinha a um executivo do seu porte.
No dia seguinte, os jornais noticiaram terem sido finalmente encontrados os restos mortais de Rubão, junto aos destroços de um desconhecido, enterrado como indigente.




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quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

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FERNANDO - JANDIRA ZANCHI

Ilustração; Martin Stranka

Passionário, sempre, passionário. Aquele café, aquela esquina, o final de tarde, as luzes, natural e artificial, se confundindo. Uma brisa quente subindo pela calçada. Um leve ardor no sexo, logo esquecido. O ar, o desejo, os rapazes. Sempre foram os rapazes. Procurava as moças, algumas, belas, até doíam de tanta beleza, desfeitas em seu desejo de homem, de posse. Algumas mais livres, alegres, entusiasmadas com seu trabalho, em alguma criação, com vida. A essas desejava mais, perseguia quase, mas, não, eram um pouco  nefastas, era mais o interior delas, a pele macia, os olhos semicerrados depois do amor. Era uma espécie de encanto, breve, solícito. Sempre ficavam amigas. Sempre via aquele apertar de olhos da decepção. Não no primeiro dia, ou nos primeiros, em que era um pouco intenso, depois, nada o movia. Conseguia perceber rápido demais o conjunto e ficção de seus mundos, ainda que se movesse daquela beleza, da liberdade, daquelas de olhos altos tão bem colocadas em sua Villa, arte, movimento, paisagem.

Era um escultor, um ator e um deus da beleza plástica, um amante sempre intrigado do movimento, da luz,  da secura da plenitude, do divino de alguns momentos humanos, antes que começassem a se decompor na entropia dos ventos. E a beleza estava neles,  invencível em Apolo, em suas linhas cruéis traçadas com movimentos precisos, sólidos, rochosos ou altos, louros, ou não, morenos de olhos profundos, os gestos magníficos de melhores animais da espécie. Os invejava? Também era belo, não assim de músculos e fardos, mas de elegância, amplidão, conhecimento, desenvoltura no belo.

Durante muito tempo ficou questionado dessa função de macho aos pés de outro. Em alguns compreendeu, perfeição, arame cortado em fios abstratos na mente, soluções, arquétipos bem incorporados na ação, homens que desenvolviam papéis perfeitos em frentes nem sempre adulteradas por arte ou sugestão. Atores de indústria, corporações, organismos governamentais, arquitetos, médicos, cirurgiões, pesquisadores, sim, eram esses que derretiam seus dias em noites ásperas, astutas, criadoras, vulcânicas. Os preferia aos atores, escritores, escultores como ele.. era a esses príncipes de baixo relevo a sua dedicação. Pois, enfim, se deu conta de que tinha linhas traçadas para além corpo, com sugestões de literatura e filosofia na forma, na plenitude do ser. Perfeição conjugava imagem e ação.

Com alguns viveu na Villa cravada em pedras e sitiada pelo mar. Para esses indicou suas flores, os frutos de suas árvores, a ternura do seu povo, aquele que fazia a feira, um artesanato, pequenos trabalhos nos consertos e arranjos domésticos. Para eles reverenciou as vovós e seus pães corados, suas mantas, os doces esmerados do lugar. Foi honesto e se confessou benemérito da escola paroquial, até permitiu que o acompanhassem na missa de domingo, nas conversas com as senhoras das barracas, suas noites de feira da quermesse... enfim, contou de seus detalhes, de seu amor ao vento, a terra... mas, não os levou aos cafés. Não naquele, viril e rosado na esquina do burburinho, quase assaltado no começo do calçadão pelo movimento, febril nessas horas de carros e pessoas... não, neste, era o artista mundano, beijava mão de algumas mulheres, convidava as senhoras das repartições de cultura  e os músicos... os rapazes, chegavam mais tarde, magros, os cabelos longos, aqueles olhos soltos, entregues para estrofes e vinho, muito vinho. Bebia com eles. Não ali, formavam grupos e saiam pelas ruelas, paralelepípedo, centro histórico, fotografando algumas vezes, uma flor, um detalhe, uma luz, a lua amarela ou sisuda, que a noite era sempre de lua,  mariposas, dessas que se golpeiam por sobre as luminárias dos postes. Riam muito, alguém sempre cantava, outro fornecia um ritmo diferente, existiam os que declamavam. Ele fazia alguns esboços, sempre disputados, assinados. Cigarros, volúpia, noite. Meninas aconteciam, a exaltação aumentava. Por ali mesmo, seja aonde fosse o lugar, se beijavam, sussurros, gritos abafados, alguma audácia. Ele, vez em quando, também se grudava em alguma, era quando as noites eram mais soltas, quase companheiras do dia.

Mas, sim, nem sempre. As vezes a noite corria e ficavam alguns. Esses que já se conheciam... e podiam ficar juntos ou, outros, novos, arcanjos ou afobados, nem sempre atletas, encrespados ou tímidos, ficavam. Os que se permitiam nunca usavam o primeiro gesto. Se necessário, quebravam alguma onda, meio longa, de silêncio ou espera, com bravuras ou confidências, camaradagens. E.. mais alguns segundos sempre, mais alguns quarteirões, iam subindo ladeiras e voltas, então, enfim, se conseguia perceber. Eram olhares estreitos, as vezes trêmulos, olvidados, que poderiam, talvez, não ter existido, ou sim. Pequenas rimas, um toque de mão, e os amigos que inauguravam, talvez dessa ronda já informados, se explicavam.


Eram as melhores noites, lembrava, na Villa, do encantamento. Aquela surda e repetida caça, promíscua, vagarosa, lenta e elaborada, desconfiada, as vezes maliciosa, apreensão... maravilhosa a recompensa. Um amor ou outro, talvez nada que se comparasse aos atletas ou aos capitães, mas, verdade inteira, farejada, desejada, envolta na mais séria verdade de cada um. Pois amavam homens e, sim, nada neles poderia indicar esse sim. Só o outro, o desejado da noite e alguns vinténs dos  seus comparsas. Esses calariam ou aprenderiam ou assediariam. Mas, só depois.

JANDIRA ZANCHI  (de Egos e Reversos, inédito).
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terça-feira, 16 de janeiro de 2018

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PEDRAS DO DIA


“No meio do caminho tinha uma pedra/
tinha uma pedra no meio do caminho”.
(Carlos Drummond de Andrade)


Pedras do dia são as que procuro para viver; como razão vivencial em que o jogo silencioso do pensamento, a poesia do tempo e a voz da música dão sentido e deflagram diferenças entre o brilho e a aspereza das pedras do caminho. Para Márcio Almeida, “A gente tem que se amar/ duas vezes mais:/ porque somos diferentes / e porque somos iguais”.
Ao procurar as pedras no caminho exercito a liberdade que aflora na sensibilidade para ver o outro lado da história; o voo do pássaro sem repetições e os caminhos de pedregulhos. Pedro Du Bois retrata, “Tantas vezes chutei meu destino/ como são chutadas as pequenas pedras/que encontramos no passeio... // Só fui o que tive por companhia. As outras vidas foram apenas/ as pedras que chutei”.
Pedras do dia se instauram na manhã que enfeita a paisagem deslocada pelo viver, ao perceber os momentos como feridas abertas, onde não há luz e sigo o caminho para senti-las. Então, a dor me invade fundindo o tempo, cerrando a janela e se alojando em mim. Nas palavras de Walmyr Ayala, “Nunca a mesma ilha. / A volta, sim, / mas não a mesma pedra, / nem o mesmo passeio ...”
No caminho das pedras há a marca dos dias em que conceitos se fundem em palavras e gestos; por vezes, estou fechada em mim e, nestes momentos, penso nas pedras apenas como adorno; noutros, percebo o brilho do coração para vencer o silêncio.
Encontro pedras com luz própria, que traçam meu espaço quando tudo parece vida sem valor, o que me mantém na caminhada a passos largos no mundo onde as pedras estão no lugar certo, alastrando a paisagem diária e jogando palavras ao vento, como em Carmen Presotto, “Mesmo que haja pedras em minhas fronteiras / Mesmo que haja humanos soldando meu sangue / Basta... Quero viver! ”.




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sábado, 13 de janeiro de 2018

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Ontem



como se uma catástrode
de proporções globais
tivesse acontece


porém só em mim



10/01/18
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CACHORRO ENGARRAFADO




"O uísque é o melhor amigo do homem. É o cachorro engarrafado"
Vinícius de Moraes

Ele chegou filhotinho, uma coisinha de nada, só 200ml de suave fofura e inocência. No rótulo se lia "12 years old", mas, para um exemplar daquele pedigree, doze anos era só o começo de uma longa e proveitosa vida. 

E como foi saboreada a vida que me deu, enquanto durou. Não exigia nada em troca e não dava trabalho nenhum. Não pegava pulga, nem carrapato, banho não carecia, nem latir ele latia. Manso como só ele, deixava-se ficar ali na estante, entre livros e porta-retratos. 

A intimidade e o zelo foram se achegando aos poucos, em goles discretos. Sabia o momento do seu reinado a cada fim de tarde, à hora certa e boa. Era quando trocávamos colos. Eu lhe dava o meu e ele me dava o dele. Sem gelo, reconfortante e amigo. Cicatrizante de mágoas e refazedor de ânimos, punha-me a alma pulando doida feito um cãozinho dançante de circo. Em sua irracionalidade, parecia conhecer a magia do seu caramelo com gosto e cheiro de envelhecido, levando como recompensa de sua travessura um biscrock ou coisa assim. 

E quantas vezes eu ali quieto, no divã da sala, livro ou jornal nas mãos, e lá vinha ele com aquela cara de pidoncho, abanando o rabinho. Me ganhando com seu blend de cocker spaniel, poodle e yorkshire, um malte (ou seria maltês?) de aroma inconfundível e traços amadeirados de marcante personalidade, que só o repouso sem pressa em carvalhos escolhidos pode trazer.

Nessa toada, o tempo voou e ele espichou. De garrafa de bolso para 500ml, daí para 750 até chegar a um litro. Ou seja, se eu o entornava aos poucos, o seu crescer forte e saudável recuperava o consumido. Na cruza, rendeu oito filhotinhos. Todos com a sua cara e com os mesmos 200ml, o tamanho que tinha quando entrou em casa pela primeira vez. 


© Direitos Reservados
Imagem: extra.com.br

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terça-feira, 9 de janeiro de 2018

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A CARTA


Querido,
“Não quero luxo nem lixo, quero ser imortal”, quero ficar com você. Mascaro a velhice na ausência que busca o sonho: renascer ou desenvelhecer?
Passo pela história sobreposta em caminhos e lembro o portal, o jardim na edificação antiga, onde o envelhecimento acontece em brumas de outras histórias e se apodera do momento em que colho o sentido da vida no não retorno: nostalgia ou tristeza?
A aridez do tempo desfoca minha realidade de idosa ao me remeter para o presente na ausência anunciada, em mera fumaça lanço a vida em sonhos, refaço trajetos e busco motivos para que o amanhã se repita no ontem: pranto ou choro?
A idade avança na medida em que divido o tempo, como jogo entre amigos, em que conto os resultados diários sem alarme. Minha dúvida é se ainda há alarme para o coração; ou apenas digo que hoje é domingo? Busco o seu olhar para realizar minhas fantasias e ouvir seus segredos ao apreciar a paisagem: nasci para desenvelhecer?
Quero ficar com você. Em tudo que vejo e ouço é sempre você! Carlos Drummond de Andrade demonstra, na “Carta a uma Senhora,... Por isso lhe escrevo esta carta, que é especial: não vai por terra ou mar, nem vai de avião, vai pelo rádio. Se fosse pelo correio, a senhora reconheceria logo a letra do envelope, e não seria surpresa... A senhora, seu marido e seus três moleques recebam, pois este abraço que lhes manda pelo rádio um velho amigo saudoso; abraço tão real e apertado como se estivéssemos todos reunidos de verdade nesta sala”.
Abraços da sua amiga de sempre para sempre.


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