domingo, 9 de setembro de 2012

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Através dos Tempos


A principal caverna de Washington era habitada por um troglodita que mal sabia falar. Grunhia, como era natural então, e achava que todos os outros trogloditas deviam se submeter às suas vontades. Por tédio, ou medo mesmo, esses pobres trogloditas se submetiam aos desejos do troglodita-mor, e assim tudo estava bem e em paz. Acontece, porém, que o troglodita-mor gostava de encrenca, de forrobodó. Uma vez que conseguira dos seus conterrâneos a submissão absoluta, faltava-lhe o que fazer. O uísque escocês ainda não tinha sido inventado. O golfe pré-histórico era-lhe sacal. Como não conhecia nenhum outro esporte, e nem gostava mesmo de esporte algum, resolveu então sair pelo mundo à cata de adrenalina'. Foi encontrá-la no interior de uma igualmente grande caverna em Bagdá. Lá chegando, o troglodita-mor desafiou o seu habitante para um emocionante duelo de porretes. O troglodita de Bagdá tinha o espírito parecido com o do troglodita-mor. A diferença era a barbona. E o tamanho do porrete: o troglodita-mor de Washington tinha um enorme, inteligente, que calculava a velocidade e a intensidade da porrada. Já o de Bagdá tinha um porrete comum, mas nem por isso inofensivo. 
  — Teu porrete é maior que o meu — disse o troglodita de Bagdá.  
— Azar seu — disse o troglodita-mor de Washington. E POW!, desceu a ferramenta na cabeça do inimigo. 
 
*****
Muitos séculos mais tarde o troglodita-mor de Washington, agora um nobre de nobreza questionável, encontrou-se novamente com o troglodita de Bagdá.  
— Biltre! — exclamou o agora nobre de Washington. — Pensei que tivesse acabado com a tua raça lá na pré-história!
 O troglodita de Bagdá, agora também um nobre de nobreza questionável, respondeu:  
— Pois eu voltei pra te aporrinhar a vida, ó galego do zói azul. Sai já desse castelo branco e vem aqui provar o aço da minha espada!
O nobre de Washington era de temperamento bem parecido com o do nobre de Bagdá. A diferença era o tamanho da espada: a do galego era bem maior e afiada.
 — Tua espada é bem maior que a minha — disse o nobre de Bagdá. — Azar o seu, sujeitinho pusilânime! — disse o nobre de Washington. E SNAP!, desceu a lâmina no pescoço do inimigo. 
 
*****
Pois é: neste exato momento o nobre de Washington e o nobre de Bagdá estão novamente lutando entre si. Têm em comum o fato de não serem mais nem um pouco nobres. E a estupidez. A diferença, talvez, esteja na potência do computador: o sujeito de Washington tem um bem melhor. 
  — O teu computador é bem melhor que o meu — reclama o ditador de Bagdá.
— Azar o teu, barbudo de araque! — diz o imbecil de Washington. E tome bomba inteligente (?) pra cima do inimigo. 
 
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SALTO NO TEMPO – BAHIA, 2023, interior do Templo de Umbanda Placa-Mãe Meninha de Gantois
O pai-de-santo Pentium VII de Oxalá, depois de fazer o download do Caboclo Treze Bombas, faz a seguinte previsão: "Os trogloditas de Washington e de Bagdá voltarão apenas mais uma vez a esta terra". Um jornalista da maior agência de notícias da terra pergunta: — E qual arma poderosa eles usarão dessa vez?
— O porrete — responde, na bucha, o Caboclo Treze Bombas.

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